terça-feira, 29 de março de 2016

A POBREZA É UMA ANOMALIA SOCIAL
Por Félix Vasconcelos
Sou pobre como muitos são pobres. Não estava nos meus planos ser pobre.
Alguns dizem assim: Faça um concurso! Outros dizem: Não seja honesto, roube! Outros dizem: Você é pobre porque é incompetente!
Não é nada disso do que eles dizem, do que eles falam. Perdi vários empregos porque eu tive que lutar contra os corruptos das escolas, das igrejas, das fábricas.
A maioria da elite é corrupta e escraviza. Quantas férias no trabalho eu fui obrigado a vendê-las, legalmente eu estava de férias, todavia a minha consciência doía. 
Involuntariamente compactuei com algumas coisas erradas porque não tive forças contínuas para lutar contra as ondas gigantescas da corrupção.

Enquanto irmãos, amigos, políticos e religiosos não compartilharem conhecimento, dividirem um pouco do que não lhe falta, a miséria será a pior anomalia social do planeta Terra.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Uma Professora Universitária que mudou o Sertão
Por Félix Vasconcelos
Seu nome era Maria,nome muito comum no sertão brasileiro. Ela partira de Xiquexique no ano de 1946, fora para a capital Fortaleza. Sua cidadezinha ensinara-lhe apenas a ler e a escrever. Fora em busca de conhecimento que mais tarde traria de volta para o sertão de Xiquexique.
Ela tinha 10 anos de idade quando partira. Seus pais lhe disseram que no sertão não tinha boas perspectivas. Como o sertão não tinha perfectivas, se Deus a fez nascer no sertão?!
Ela ainda menina morando na casa de uma tia, na capital cearense, sempre pensava no sertão. “Como mudar o sertão para ele deixar de ser essencialmente agrícola para ser um sertão cultural e progressista?”
Este pensamento primordial martelava todos os dias nos seus pensamentos durante toda a sua adolescência e maturidade.
No ano de 1950 aos 14 anos em uma viajem de férias à Xiquexique, ela doou 100 livros para as crianças da periferia de Xiquexique. Livros que ela conseguira com ajuda de seus colegas do Colégio Roosevelt. Assim sucessivamente nos anos de 1950 até 1960, por mais de dez anos, ela levara livros para a periferia do sertão de Xiquexique.
Nestas viagens ela via muitas crianças batendo em latas como se fossem tambores, algumas crianças soprando em pedaços de canos como se fossem flautas. Ela via aí um grande potencial musical nas crianças do sertão.
Aos 25 anos já trabalhando num bom emprego, quando recebera seu primeiro salário de professora na Universidade Federal do Ceará comprou 10 flautas de plásticos e dou para aquelas crianças mais talentosas, musicalmente, da cidade de Xiquexique.
Criou a Banda de Música Flautistas do Sertão Xiquexiquense. A professora universitária Maria sendo muito inteligente e talentosa aprendera a ler partituras e a tocar flauta com o único objetivo ensinar a estas crianças a evoluírem musicalmente ; de quinze em quinze dias ela viajava para a periferia de Xiquexique para ensinar as crianças a ler partitura e a tocar novas músicas, principalmente músicas de Luiz de Gonzaga.
Sempre em suas viagens à Xiquexique levava os bordados de Xiquexique para vender aos colegas da universidade. Criara a Associação das Artesãs de Xiquexique. Organizou a primeira Feira do Artesão de Xiquexique com a ajuda de sua amiga xiquexiquense Dalva (presidenta da associação das artesãs de Xiquexique).
Seus pais, Pedro e Antônia, dono de terras em Xiquexique cederam um terreno na zona urbana de 50m X 15 m para que ela construísse o primeiro Centro de Artesanato. Com ajuda de amigos empresários de Fortaleza ela construiu o primeiro centro de artesanato de Xiquexique. Gerando inicialmente 20 empregos diretos e 50 empregos indiretos.
Então com coragem e iniciativa ela começara a grande transformação do sertão. Já havia elementos propulsores da cultura e do trabalho. Suas palestras educativas e otimistas se intensificaram nas praças e ruas de Xiquexique. Será ela a salvadora do sertão de Xiquexique?!
-Caros e amados conterrâneos propaguem os conhecimentos por todo o sertão cearense, começando pelo sertão xiquexiquense!
O povo respondia em coro:
- Viva a Maria a redentora do sertão xiquexiquense!
Ela e seu oito irmãos se reuniram com o consentimento de seus pais para criar a primeira área de preservação ambiental de Xiquexique nas terras da família.
Todas as plantas nativas recebiam nomes científicos com placas informativas, por exemplo: o pau-branco tinha o nome estrambólico de Auxemma oncocalyx, o xiquexique tinha o nome de Pilocereus gounellei. Os animais era vistos com binóculos alugados pelo centro de preservação. O preá que tinha um nome científico de Cavia aperea era muito raro de se ver os mais comuns eram os pássaros como o galo de campinas (Paroaria dominicana ), a rolinha fogo- apagou (Columbina squammata).
A professora Maria criara a primeira escola profissionalizante de Xiquexique com ajuda dos irmãos Fernando, Isac, Benedito e Pedro. Na sequência as profissões de cada um: técnico de eletricidade industrial, mecânico industrial, técnico em edificações e Pedro era químico, como a professora Maria.
Depois vieram outras realizações como o Teatro da Família Vasconcelos com vagas para duzentas pessoas. A professora Maria também adorava teatro, nos finais de semana quando estava em Xiquexique dava aulas de teatro no Teatro da Família Vasconcelos, e seus irmãos davam aulas de eletricidade, mecânica , construção civil e química industrial na escola profissionalizante de Xiquexique.
Xiquexique uma cidade cultural, ecológica e industrial o sonho se tornara realidade. A professora Maria Vasconcelos estava feliz, muito feliz. Seus discípulos disseminaram conhecimento para todo o semiárido brasileiro.
Nenhuma placa de rua com seu nome, nenhuma escola municipal com seu nome foram feitas em Xiquexique, porém os pássaros cantavam em sua homenagem na Serra do Galo de Campinas aonde suas cinza funerárias foram lançadas de helicóptero pela Fundação Maria Vasconcelos.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Reciclagem da Sucata de um Sonho
Por Félix Vasconcelos
Sempre acreditei e vou sempre acreditar em consertos de motores elétricos.
Por motivos de saúde tive que fechar a oficina; aos técnicos pessimistas que diziam: ”Isso não vai dar certo!”, “Você vai morrer de fome!” , fui longe intelectualmente,saibam que foi a oficina que me fez tornar professor. Eu fui o único professor da família na área de eletromecânica, cheguei a lecionar seis disciplinas técnicas: desenho mecânico industrial, inglês técnico, instalação elétrica industrial, comandos elétricos, rebobinamento de motores elétricos e consertos de motores elétricos
Nunca deixarei de ensinar os meus conhecimentos de eletromecânicas. Os motores movem o mundo.
Tenho alunos que hoje são excelentes profissionais. Agradeço a eles que acreditaram na minha missão enquanto professor e aos meus clientes que depositaram confiança enquanto eu fui dono de oficina por duas vezes.
Uma das Três Escolhas Mais Difíceis de um Adolescente
Por Félix Vasconcelos
Mesmo sendo pobre Gabriel vivia uma vida em paz com poucas pressões psicológicas. Era um estudante exemplar, porém muito só.
Ele vivia além do seu tempo. Seus pensamentos eram para um mundo além do seu tempo contemporâneo, por isso era incompreendido pelos irmãos e colegas da escola.
Sua partida do sertão para a capital Recife foi feita sem uma preparação psicológica antecipada, seu pais poderiam dizer que depois de terminar a oitava séria ele iria morar com irmãos na capital.
No dia seguinte a festa de conclusão da oitava série sua mãe o mandou pegar o ônibus com destino a capital, na sua partida o pai não estava presente. Uma partida rápida e triste.
Chegando à capital foi recebido de maneira fria pelos irmãos; um deles falou: Aqui você não vai ter moleza. Vai fazer o café da manhã, o almoço, a janta, vai varrer a casa e estudar. Foi morar com irmãos que ele nunca tinha morado antes. Seus irmãos pareciam pessoas estranhas.
AINDA EM PROCESSO DE TEXTUALIZAÇÃO

quinta-feira, 17 de março de 2016

Os Heróis Discentes do Colégio Paulo Bastos na Década de 1970
Por Félix Vasconcelos
Nem tudo era maravilhoso na nossa época de estudante. Irauçuba era paupérrima naquela época.
Quando davam três horas da tarde a sede era insuportável, mas estávamos lá estudando para ser gente porque estudar ainda é sinônimo de ser gente.
O colégio não tinha água para todos, apenas para os professores, eu creio. O nosso rendimento escolar caia (ninguém se concentra com sede).
A merenda era tijolinho . A vendedora era a minha mãe, a Dona Valta. Ela só vendia à tarde. A situação complicava porque quem comia o tijolinho tinha sede. Beber como se não tinha água na escola; era sede incalculável?! Nós éramos os heróis discentes dos anos de 1970. A maioria de nós estudava com fome e sede.
A escola não tinha uma biblioteca, tinha apenas um móvel de madeira com alguns livros de matemática, português e história, quero deixar bem claro: De uso exclusivo dos professores. Como adquirir o gosto pela leitura se não tínhamos acesso aos livros. Não me lembro de nenhum professor nos estimulando a ler , talvez por sermos pobres demais para comprar um livro já que biblioteca não existia na escola.
Ir ao banheiro? Nem pensar! O banheiro, tinha um banheiro de uso exclusivo dos professores. Além do mais tínhamos vergonha de dizer que queríamos ir aio banheiro. Não fomos educados em se tratando de necessidades fisiológicas (nome bonito pra não se falar em defecar e mijar).
Somos heróis porque sobrevivemos ao sistema pedagógico deficitário. Da minha turma me tornei escritor, pobre, mas escritor, outros se tornaram empresários e uma minoria virou alcoólatra, alguns uns zés-ninguém. Dura realidade, mas os heróis sobrevivem. Somos os Heróis Discentes do Colégio Paulo Bastos dos Anos de 1970.
Puxão de Orelha nos Santos
Por Félix Vasconcelos
Oh, Deus, como eu gostaria de dar um puxão de orelhas nos santos.
Aqui na terra, Deus, aumenta a violência, porém também aumenta o número de devotos que não fazem nada a não ser lotar a igrejas em devoção aos santos em forma de estátuas.
Daria um puxão de orelhas nos santos para que eles se manifestassem, em espírito, dentro das igrejas com idéias que trariam transformações sociais.
Que eles dissessem que o dinheiro doado em seus nomes fossem para bancos sociais para construções de escolas de músicas, escolas agrícolas, escolas de mecânicas, escolas profissionalizantes. Instituições de combate a desertificação e preservação das águas.
Oh, Deus como eu gostaria de dar um puxão de orelhas nos santos! Eles são orgulhosos; eles poderiam dar palestras nos centros de convenções, nas escolas e nas praças ; esta possibilidade existe porque eles estão vivos em espírito.
Apenas seis garrafinhas de água de 500 ml
Por Félix Vasconcelos
Caros colegas técnicos em instalações elétricas, instalações hidráulicas e trabalhadores da área de construção civil, provavelmente vocês que trabalham em domicílio têm sofrido com sede. Não é verdade?
Cuidado com a saúde vocês terão vários problemas ao trabalhar com sede. O principal é a desidratação O organismo, recebendo pouca água, fica desidratado. Cansaço, indisposição, pele seca, cabelos secos, dores de cabeça, problemas digestivos, inflamações, cistites, formação de cálculos (pedras), alterações da pressão arterial, da circulação, do sistema hormonal, irritabilidade, insônia, são alguns exemplos do que pode acontecer para quem bebe pouca água. Na falta de água, fica prejudicado o sistema natural de limpeza e desintoxicação do organismo
Tenho notado ultimamente que algumas pessoas perderam o hábito de oferecer água aos trabalhadores que trabalham em domicílio, quando oferecem é um copo de 100ml (um copinho de água para você trabalhar o dia todo).No mínimo você necessita de 3000 ml ao trabalhar o dia todo.
Leve a sua própria água para o trabalho em domicílio. Leve seis garrafinhas de água de 500 ml dentro de uma sacola plástica antes que você adoeça.
Quando eu era criança ouvia falar que a água seria tão cara que ao fazer visitas nas casas das pessoas elas não teriam a gentileza de te oferecer água. Hoje é uma realidade cruel e humilhante.
Quantos Amigos-primo Você Tem?
Por Félix Vasconcelos
Pedro acordou se questionando por que as pessoas que mais nos visitam não são os nossos primos? Por que as pessoas com quais costumamos ir às festas, à praia, ao cinema, não são os nossos primos?
Há primos que nunca te visitou; há primos que há dez anos, vinte anos não te visita. Talvez, talvez no teu velório ele te visitará.
Certa ocasião Pedro ao visitar um amigo que trabalha em uma oficina de computadores, perguntou:
-Quantos amigos-primo você tem?
Ele demorou mais de um minuto para responder.
-Eu tenho um amigo-primo.
Nas reflexões sociopsicológicas de Pedro, ele chegou a conclusão que o motivo é esse:
Nossos pais não costumavam visitar os irmãos deles ( os nossos tios), ou visitavam muito pouco; então não houve nenhum desenvolvimento de amizade e carinho entre os primos. Simples assim.

terça-feira, 15 de março de 2016

Literalmente Descasados
Por Félix Vasconcelos
São milhares de pessoas descasadas, literalmente.
Não falo de pessoas que tinham esposas, falo de pessoas que nasceram e moraram sempre em casa de outrem.
Na infância eles costumavam dizer: Esta é minha casa. Na adolescência eles ouvem pela primeira vez a frase das mães:
-Deixe para dar opinião quando você tiver sua casa própria! Esta casa é minha!
Aí eles percebem que estão descasados porque as casas que eles pensavam que eram deles são de suas mães.
Depois talvez eles vão morar nas casas de tios, continuam descasados porque as casas são dos tios. Depois vão morar nas casas de irmãos, continuam descasados porque as casas são dos irmãos.
Depois de tantas tentativas para comprar uma casa perdem os empregos, vão morar nas casas de herdeiros.
Continuam descasados porque as casas são de herdeiros.
Oh, Nossa Senhora dos Descasados protejam os sem casas! Amém!
Primos e Tios pobres, Qual a solução?
Por Félix Vasconcelos
Vivemos numa luta constante pela sobrevivência, porém sempre existem alguns parentes em condições econômicas menos crítica que poderiam ajudar a estabelecer a dignidade na família.
É de partir o coração quando vemos parentes vendendo salada de frutas nas ruas, vendendo relógios de porta em porta, tios-camelô com mesinhas nas praças. As vezes produtos comerciais de origem duvidosa.
Será que realmente é a condição que eles desejariam? Eu creio que não.
Alguns sofreram traumas psicológicos profundos, perdas de bons empregos,falências no comércio, doenças, ou mesmo traições no casamento tornando-se alcoólatras e pessoas tristes.
Quando pessoas extremamente pobres tentam se aproximar da família há prejulgamentos, portanto os pobres continuam pobres e sofrendo muito, alguns já idosos e morando longe da família.
Há exclusão na família, há preconceitos? O tempo é o dono da verdade. Enquanto isso alguns primos e tios vão vivendo em condições difíceis para a sobrevivência deles mesmos.
Assédio Moral dentro das Famílias
Por Félix Vasconcelos
Ah, como o assédio moral dentro das famílias é comum! Ele é o principal responsável pelas fugas temporárias do lar ou definitivas feitas pelo assediado. Fugas de um lar que um dia foi um lar, mas hoje é motivo de pânico.
O assédio familiar também é responsável pelos isolamentos de pessoas que quase não têm amigos, nunca namoraram ou se namoraram foi muito pouco.
Ele é responsável pela maior parte dos suicídios. Ele é o maior responsável pelo abandono das escolas.
São frases bobas, mas perigosas ditas diariamente a outrem: Você é burro! Sai daqui abestado! Ei, cara, como tu é feio! Sai daqui magrelo!
Saibam vocês que os mendigos, drogados, ladrões tiveram as sementes da humilhação plantadas dentro dos lares pelos irmãos que se acham mais inteligentes ou pelos pais que buscam sempre o sucesso do filho, sem jamais respeitarem as suas limitações pedagógicas.
O assédio moral é o principal responsável pelos fracassos socioeconômicos de milhares de adultos que se sentem tristes e amargurados.