quinta-feira, 17 de março de 2016

Os Heróis Discentes do Colégio Paulo Bastos na Década de 1970
Por Félix Vasconcelos
Nem tudo era maravilhoso na nossa época de estudante. Irauçuba era paupérrima naquela época.
Quando davam três horas da tarde a sede era insuportável, mas estávamos lá estudando para ser gente porque estudar ainda é sinônimo de ser gente.
O colégio não tinha água para todos, apenas para os professores, eu creio. O nosso rendimento escolar caia (ninguém se concentra com sede).
A merenda era tijolinho . A vendedora era a minha mãe, a Dona Valta. Ela só vendia à tarde. A situação complicava porque quem comia o tijolinho tinha sede. Beber como se não tinha água na escola; era sede incalculável?! Nós éramos os heróis discentes dos anos de 1970. A maioria de nós estudava com fome e sede.
A escola não tinha uma biblioteca, tinha apenas um móvel de madeira com alguns livros de matemática, português e história, quero deixar bem claro: De uso exclusivo dos professores. Como adquirir o gosto pela leitura se não tínhamos acesso aos livros. Não me lembro de nenhum professor nos estimulando a ler , talvez por sermos pobres demais para comprar um livro já que biblioteca não existia na escola.
Ir ao banheiro? Nem pensar! O banheiro, tinha um banheiro de uso exclusivo dos professores. Além do mais tínhamos vergonha de dizer que queríamos ir aio banheiro. Não fomos educados em se tratando de necessidades fisiológicas (nome bonito pra não se falar em defecar e mijar).
Somos heróis porque sobrevivemos ao sistema pedagógico deficitário. Da minha turma me tornei escritor, pobre, mas escritor, outros se tornaram empresários e uma minoria virou alcoólatra, alguns uns zés-ninguém. Dura realidade, mas os heróis sobrevivem. Somos os Heróis Discentes do Colégio Paulo Bastos dos Anos de 1970.

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